A parábola da jovem estatista

Era uma bela manhã, acordei, preparei meu rotineiro café, me ajoelhei e rezei para meu Deus, meu anjo da guarda, o Grande Estado! A ele ofereço diariamente impostos, taxas e os mais variados e esdrúxulos tributos. Para cultuá-lo ainda mais, fui comprar alguma coisa, pois toda vez que se compra algo, se paga imposto, se vira o traseiro pro Estado introduzir seu instrumento fálico em meu órgão excretor.

Mas não sabia o que comprar, deste modo saí na rua a esmo, pensando em quão presente o Estado poderia estar mais em minha vida, em quão mais atrasado, arcaico e retrógrado este país poderia ficar, pois países conservadores são países parados no tempo, onde nada funciona como deveria. É viver a vida do capiau do mato, baseado e frugaz.

Então eis que vi uma banca de jornal, e haviam vários velhos ali, comprando jornais. Tinha pelos menos uns cinco velhos e alguns taxistas também. Dois dos velhos estavam com aquelas boinas de velhos, um deles estava com um óculos grandão como aquele do Olavo de Carvalho. Estavam falando sobre política, sobre como tem ladrões no governo, que o governo é corrupto, etc, mas ao mesmo tempo enchiam o peito pra falarem que os filhos estão todos prestando concurso e um está trabalhando no órgão “X” do governo federal e faturando não sei quantos mil por mês, enquanto outro está estudando no ITA.

Nisso eu abri um sorriso largo e amarelado. Como é bom ver esta hipocrisia, é tão… estatizante. Adorei a sensação de reclamar do Estado enquanto se procura se fazer parte dele. Me senti elevada e engrandecida pela solene exaltação da soberania nacional ao ver todos aqueles velhos falando de concurso público, aquela velharada retrógrada e decadente nos seus últimos dias, verdadeiros suspiros finais de uma vida de servidão gadística que se esvai apodrecendo aos poucos todos os dias numa vida provinciana e simplória. Então subi o degrau da banca e entrei dentro, cercado de papéis, revistas, jornais por toda parte, meu peito estufado de orgulho ao ver aquele monte de PAPEL.

É muito bom ver tanto papel. Acho tão judaico e degenerado este negócio de e-book, de guardar milhares de livros dentro de um único pendrive. Tecnologia é coisa de degenerados. A internet, uma invenção dos americanos que invadem e depredram esta nação abençoada fundada pelo grande Getúlio Vargas, que sufocou a imprensa e hoje jornaleiros ganham bem menos que em tempos mais estatistas. Bem melhor é guardar milhares de papéis dentro de um único livro. Quanto mais papel melhor. Ver tanto papel me fez lembrar que aqui no Brasil ainda se usa reconhecimento visual de impressões digitais, sim os funças ficam girando um rolo e vai tudo no olho mesmo, e também ao me lembrar de que ainda usam arquivo morto nas repartições públicas. Muito melhor guardar um monte de papel numa salinha cheia de mofo do que toda a informação dentro de um pendrive, até porque a salinha que acumula ácaros custa um aluguel pro Estado todo mês, e aí podemos super-faturar este aluguel em 2000% e cobrar um imposto de 50000% sobre este valor com algum tema aleatório para cobrir, enchendo os bolsos da nossa casta de funças ungidos estatais, de representantes do DEUS ESTADO, que passaram em concurso público e por isso possuem MÉRITOS.

Ver tanto papel e pensar em tantos carimbos e repartições me deixou com a vagina pegando fogo para enfiar nela algum imposto aleatório, e perguntei ao jornaleiro, um gordo japonês, se tinha alguma G-Magazine por ali, pois não tinha visto nenhuma na relação de revistas adultas que geralmente ficam no alto das prateleiras. Ele então me mostrou a VEJA desta semana, onde na capa tinha um menino autista, que parecia ser o ditador da Coréia do Norte, e outra com um senhor com traços autoritários, como Adolf Hitler, e outro másculo, com um grosso bigode, que me lembrava o grande Stalin. Minha vagina começou a ventilar calor feito um vulcão em erupção. Esta sim, reconheci, é a melhor revista pornô do país, e não hesitei em levar, até pelo preço bem alto, e também em memória ao nosso grande pensador estatista Reinaldo Azevedo, defensor ferrenho do Estado democrático de direito. Também fiz questão de comprar o jornal O GLOBO, da emissora de televisão mais estatizante do país, que mais fez acordos com o Estado para manipular o gado e induzi-lo a servir seus mestres ungidos representante do único Deus.

Que dia lindo e estatista está hoje, meus amigos.

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